
Durante uma mudança em locação, a questão das lâmpadas pode parecer secundária. No entanto, ela gera litígios recorrentes durante a vistoria de saída. O tratamento varia dependendo se a lâmpada é um consumível substituível ou se faz parte de um luminário fixo pertencente ao proprietário. Essa ambiguidade merece ser esclarecida, especialmente porque o tipo de lâmpada deixado no imóvel pode agora ter um impacto na eficiência energética do bem.
Consumível ou equipamento fixo: o critério que determina suas obrigações
A distinção jurídica baseia-se em uma linha simples. As lâmpadas e tubos fluorescentes localizados dentro do imóvel são classificados como consumíveis a cargo do inquilino. Sua substituição durante o contrato de locação é considerada manutenção comum, assim como uma vedação de torneira ou uma pilha de detector de fumaça.
Os luminários fixados na parede ou no teto (apliques, plafons, spots embutidos) fornecidos pelo proprietário são, por sua vez, equipamentos do imóvel. Se um desses equipamentos apresentar defeito (problema elétrico, soquete defeituoso), a reparação é responsabilidade do locador. A questão de saber se deve deixar as lâmpadas na locação se resolve, portanto, em grande parte, por essa distinção entre o conteúdo (luminário) e o conteúdo (lâmpada).
| Elemento | Categoria | Responsável pela substituição | Deixar na saída? |
|---|---|---|---|
| Lâmpada rosqueada ou de baioneta | Consumível | Inquilino | Sim, em funcionamento |
| Tube fluorescente (neon) | Consumível | Inquilino | Sim, em funcionamento |
| Spot LED integrado não substituível | Equipamento | Proprietário | Faz parte do luminário |
| Plafon ou aplique de parede fornecido pelo locador | Equipamento | Proprietário (se houver defeito) | Não retirar |
| Luminário instalado pelo inquilino | Bem pessoal | Inquilino | Levar, devolver o luminário original |

Vistoria de saída: o que é realmente verificado sobre a iluminação
A vistoria de entrada serve como referência. Se algumas lâmpadas estavam funcionando na sua chegada e estão queimadas ou ausentes na sua saída, a discrepância será anotada. O custo unitário de uma lâmpada é modesto, mas o acúmulo de pequenos defeitos pode justificar uma retenção no depósito de garantia.
Quando a vistoria de entrada não menciona as lâmpadas (o que acontece com frequência), a situação se torna mais delicada. Na ausência de menção, o proprietário terá dificuldade em provar que as lâmpadas estavam funcionando no início do contrato. Inversamente, um inquilino que devolve um imóvel com vários pontos de luz fora de serviço se expõe a uma discussão desagradável, mesmo sem uma base escrita sólida.
O que pode levar à retenção do depósito de garantia
- Lâmpadas faltando em luminários mencionados na vistoria de entrada como funcionais: o proprietário pode reter o custo de substituição
- Luminários fornecidos pelo locador retirados ou substituídos por um modelo diferente: a restauração ao estado original é exigível
- Um luminário instalado pelo inquilino ainda em funcionamento enquanto o luminário original desapareceu: o locador pode cobrar o fornecimento e a instalação de um equipamento equivalente
A precaução mais eficaz é fotografar cada ponto de luz ao entrar no imóvel. Essa prova visual protege ambas as partes.
Lâmpadas LED e eficiência energética do imóvel locativo
Desde a lei Clima e Resiliência e a reforma do DPE, o consumo relacionado à iluminação é integrado no cálculo da eficiência energética do imóvel. Essa informação muitas vezes passa despercebida nas discussões entre inquilinos e proprietários.
Deixar lâmpadas muito consumidoras de energia (antigas halógenas ou incandescentes) em um imóvel pode impactar negativamente o DPE, enquanto a troca por LED é identificada como uma ação sensata para melhorar a classificação energética. O assunto ganha uma dimensão concreta com o calendário de proibição de locação de imóveis com baixa eficiência energética.
Calendário das proibições de locação segundo o DPE
Desde 1º de janeiro de 2025, os imóveis classificados como G no DPE estão proibidos de locação na metrópole. Os imóveis classificados como F não poderão mais ser alugados a partir de 2028, e aqueles classificados como E a partir de 2034.
Para um locador cujo imóvel está na fronteira de um limite, cada item de consumo conta. Substituir um conjunto de lâmpadas halógenas por LEDs antes de colocar o imóvel para locação não é mais um simples gesto ecológico: é uma medida que pode contribuir para manter o bem em uma classe elegível para locação.
Como inquilino que está saindo, deixar LEDs funcionais em vez de lâmpadas consumidoras de energia é um gesto que facilita a transição. Nada o obriga juridicamente a fazê-lo, mas isso pode ter um impacto positivo na devolução do depósito de garantia, especialmente se o proprietário estiver sensibilizado para a questão do DPE.

Luminários instalados pelo inquilino: as regras de devolução
Um inquilino que instalou um pendente, um lustre ou um trilho de spots no lugar do luminário original deve devolver o imóvel ao seu estado inicial. O luminário original deve ser reinstalado antes da vistoria de saída.
Se o luminário original foi perdido ou descartado, duas opções estão disponíveis. O inquilino pode comprar um modelo equivalente e reinstalá-lo, ou negociar com o proprietário para que ele mantenha o luminário instalado. Esta segunda opção pressupõe um acordo por escrito, mesmo que informal, para evitar qualquer litígio futuro.
Deixar um lustre pessoal ao sair sem devolver o equipamento original expõe a uma retenção proporcional ao custo de substituição. Para um plafon básico, o valor permanece baixo. Para um aplique específico ou um luminário embutido, a fatura pode aumentar rapidamente.
Lista de verificação antes da vistoria de saída
- Testar cada ponto de luz e substituir as lâmpadas queimadas por modelos compatíveis (verificar soquete E27, E14, GU10 conforme os suportes)
- Reinstalar os luminários originais se você tiver instalado os seus, e manter uma prova da restauração
- Comparar com a vistoria de entrada: cada luminário mencionado deve estar presente e funcional
- Limpar os abajures e difusores fornecidos pelo proprietário, pois manchas de amarelamento ou gordura podem ser sinalizadas
O custo de um lote de lâmpadas LED padrão representa uma despesa modesta comparada ao risco de retenção em um depósito de garantia. Substituir as lâmpadas defeituosas antes do encontro da vistoria continua sendo a precaução mais rentável para um inquilino que está saindo, e a mais simples de implementar.